Plantas daninhas resistentes ao paraquat são raras
O paraquat é um dos herbicidas mais utilizados no mundo desde 1962; porém, durante todo esse tempo e considerando-se todos os acres de terras cultivadas e não cultivadas, relativamente poucos casos de plantas daninhas resistentes foram registrados.
O órgão reconhecido para registro de todos os focos de resistência de ervas daninhas (www.weedscience.org) atualmente afirma que existem 25 espécies de plantas daninhas, com um total de 43 biótipos diferentes resistentes ao paraquat em 13 países. Estes números incluem a recente observação de uma população de azevém anualDefinição Ervas daninhas que completam seu ciclo de vida em uma estação de crescimento, ou ano. Da semente à flor e de volta à semente antes do ano terminar. Referências e Recursos Confiáveis Online http://iws.ucdavis.edu/ A Sociedade Internacional de Ciência de Ervas Daninhas representas associações individuais em todo o mundo. Detalhes dessas associações regionais estão listados. (Lolium rigidum) resistente no sul da Austrália.
Somente 18 anos após o início da comercialização do paraquat se registrou o primeiro caso de ervas daninhas resistentesDefinição A capacidade herdada de uma planta/erva daninha de sobreviver a uma dose de herbicida normalmente letal para sua espécie. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weedscience.org/in.asp O Questionário Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas monitora a evolução de espécies resistentes e avalia seu impacto. Todos as ocorrências confirmadas de novos casos são listadas. ao paraquat.
Quando se comparam as principais classes de herbicidas, o progresso da resistência das ervas daninhas ao paraquat tem sido extremamente lento. A tabela e o gráfico abaixo ilustram como a resistência a alguns herbicidas foi observada muito rapidamente. As plantas resistentes têm genes raros que neutralizam a susceptibilidade normal em uma dada espécie: geralmente através da produção de enzimas que eliminam moléculas estranhas ou por terem variações bioquímicas no local de ação dos herbicidas, o que as torna insensíveis.
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Modo de ação |
Início da comercialização | Primeiro registro de resistência | No de biótipos resistentes | No de espécies | No de países |
|---|---|---|---|---|---|
| Triazinas inibidoras do FSII | 1956 | 1970 | 261 | 68 | 25 |
| Paraquat | 1962 | 1980 | 43 | 25 | 13 |
| Glifosato | 1974 | 1996 | 105 | 20 | 16 |
| Inibidores da ACCase | 1978 | 1982 | 171 | 37 | 31 |
| Inibidores da ALS | 1982 | 1982 | 327 | 107 | 34 |
Para serem notadas, as plantas resistentes precisam se tornar uma parte significativa da população de ervas daninhas. A rapidez desse processo depende de vários fatores, incluindo a raridade dos genes de resistência, se as plantas que possuem esses genes específicos são “viáveis”, ou seja, se são capazes de se reproduzir e prosperar, e da “pressão de seleção” exercida por métodos de controle de plantas daninhas. A resistência surge rapidamente em espécies de ervas daninhas nas quais os genes de resistência são mais comuns e não afetam o crescimento normal e reprodução. Quando as plantas suscetíveis a herbicidas que competem com as resistentes são eliminadas, estas podem rapidamente preencher o nicho disponibilizado.
A importância da pressão de seleção é bem ilustrada pelo glifosato. Mais de 20 anos após o início de sua comercialização não havia casos conhecidos de resistência. No entanto, em 1996 os primeiros casos começaram a aparecer. Os casos típicos ocorreram em pomares e plantações, onde houve uso de glifosato em longo prazo, e glifosato em soja e algodão resistentes, quando várias aplicações podem ter sido feitas a uma única lavoura.
O azevém anual é notório por se tornar resistente a herbicidas. Por produzir um número muito grande de sementes geneticamente diversas a cada temporada, o processo de encontrar resistência em plantas individuais é relativamente rápido, quando há grande pressão de seleção. A dependência de um único modo de ação de herbicida para controle do azevém anual já causou problemas na Austrália no passado1. Por exemplo, o herbicida contra ervas daninhas gramíneas diclofop metil selecionou populações de azevém anual resistente em cereais e canola menos de quatro anos após sua introdução, no final da década de 1970. Em 2000, estimava-se que houvesse até 5 milhões de hectares infestados. Resistência às sulfoniluréias clorimuron e metsulfuron-metil se desenvolveu com rapidez ainda maior. A resistência do azevém anual ao glifosato foi registrada após 20 anos de uso, mas populações resistentes ao paraquat demoraram quase 50 anos para serem notadas.
Primeiros focos de azevém anual resistente a herbicidas na Austrália1
- 1982 diclofop-metil: Sul da Austrália e Austrália Ocidental
- 1982 clorosulfuron e metsulfuron-metil: Sul da Austrália e Austrália Ocidental
- 1988 atrazina and simazina: Sul da Austrália e Austrália Ocidental
- 1996 glifosato: Victoria
2010 paraquat: Sul da Austrália
Cientistas que estudaram a bioquímica e a genética de plantas daninhas resistentes ao paraquat descobriram que o mecanismo de resistência não é um dos habituais2,3,4. O paraquat parece ser inativado, possivelmente por uma forte ligação, como com o solo, antes de chegar ao seu local de ação, nos cloroplastos. Outros sugeriram que as plantas resistentes são menos afetadas pelos radicais livres prejudiciais gerados por paraquat.
Por que não há mais casos de resistência ao paraquat? Não se sabe, mas pode ser porque os genes de resistência são muito raros, ou porque as plantas individuais que os possuem não sobrevivam bem em muitos casos. O fato de que o paraquat não é geralmente usado como o único meio de controle de plantas daninhas certamente ajuda. Geralmente, outros herbicidas, são misturados com paraquat, ou herbicidas seletivosDefinição Um produto químico usado para eliminar somente certos tipos de ervas daninhas (ou seja, ou as ervas daninhas gramíneas ou as de folhas largas). Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weeds.iastate.edu/ Uma inestimável fonte de informações contemporâneas sobre herbicidas e ervas daninhas da Iowa State University. são utilizados posteriormente na cultura. Este é o ponto prático crucial para evitar a resistência de ervas daninhas a herbicidas: integrar o uso de diferentes substâncias químicas e abordagens culturais para controle de ervas daninhas. Com a severa falta de herbicidas com novos modos de ação, é fundamental utilizar efetivamente e preservar os atualmente disponíveis. O robusto modo de ação do paraquat é inestimável para evitar a resistência de plantas daninhas.
Referências
- International Survey of Herbicide Resistant Weeds (Pesquisa Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas)
- Fuerst, E P & Vaughn, K C (1990). Mechanisms of paraquat resistance (Mecanismos de resistência ao paraquat). Weed Technology, 4, 150-156
- Powles S B & Howat, P D (1990). Herbicide-resistant weeds in Australia (Ervas daninhas resistentes a herbicidas na Austrália). Weed Technology, 4, (1), 178-185
- Qin Yu, Cairns A & Powles S B (2004). Paraquat resistance in a population of Lolium rigidum (Resistência ao paraquat em uma população de Lolium rigidum). Functional Plant Biology, 31, (3), 247 – 254
Observações
A marca registrada do principal produto de paraquat é Gramoxone e a principal mistura paraquat + diquat na Austrália é Spray.Seed.