Cultivo de taro

Movido a taro?Já se perguntou o que alimenta o tamanho e força impressionantes dos jogadores de rúgbi das Ilhas do Pacífico? Não é preciso procurar além do taro. O taro é uma lavoura tropical de raiz rígida, sendo o alimento básico em muitas comunidades de subsistência, especialmente nas ilhas do Pacífico. E, enquanto os membros do time de rúgbi provavelmente têm uma ampla seleção de alimentos entre os quais escolher, para muitas pessoas que vivem nessas áreas, o taro é uma parte essencial da dieta.

Geralmente chamado “a batata dos trópicos”, seu papel é tão significativo que o taro é celebrado em festivais e em moedas em muitas culturas de Ilhas do Pacífico. E isso não é nenhuma surpresa: o taro constitui quase 20% do consumo calórico diário das populações de algumas áreas, em comparação com apenas 3-5% representados pela batata para as populações dos EUA e Europa. Economicamente, ele é uma fonte importante de receita de exportação, principalmente para suprimento de ilhéus expatriados que moram na Austrália, Nova Zelândia e costa oeste dos EUA.

Por ser uma lavoura tropical, proteger o taro das ervas daninhas é crucial. As ervas daninhas proliferam nesses climas úmidos e quentes, roubando a safra. A capinação manual das lavouras é uma opção, porém, não é apenas demorada e trabalhosa, mas também significa que outras oportunidades, principalmente de educação em comunidades, podem ser perdidas. Fazer a escolha certa do herbicida fornece uma alternativa eficiente.

O paraquat é uma ferramenta essencial para produtores de taro

David Browne (esq.) aconselha sobre controle de ervas daninhas em taro“Na Samoa, o paraquat não tem apenas auxiliado os agricultores no suprimento de um alimento básico, mas também tem permitido que o taro se torne uma lavoura de exportação muito importante. É o único produto do qual já ouvi falar que pode ser usado com segurança para a lavoura".

David Browne, Venture Exports, Nova Zelândia. David tem mais de 30 anos de experiência nas Ilhas do Pacífico. Venture Exports Ltd, PO Box 5724, Wellesley Street, Auckland, Nova Zelândia, Venture-Exports@xtra.co.nz

O paraquat é usado para controlar ervas daninhas que crescem nos campos de taro antes ou depois do plantio e entre as fileiras da lavoura. O paraquat controla a maioria das ervas daninhas, não sai da área de contato nas folhas e é desativado no solo. O paraquat tem vantagens sobre a remoção manual de ervas daninhas porque economiza tempo e evita danos a raízes superficiais. O paraquat apresenta vantagens sobre outros herbicidas pelo fato que, ao contrário do glifosato, ele pode ser usado para o controle de ervas daninhas entre as fileiras com muito menos risco de dano à lavoura; e, diferentemente de herbicidas que deixam resíduos no solo, como as triazinas ou fenilureas, ele é aplicado em taxas muito menores e não sofre lixiviaDefinição O processo natural pelo qual as substâncias solúveis em água são carregadas para baixo, através do solo, até as águas subterrâneas. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.agr.gc.ca/nlwis-snite/index_e.cfm?s1=pub&s2=hs_ss&page=16 Um capítulo de um livro online chamado 'The health of our soils' (A saúde de nossos solos) postado no site do Departamento de Agricultura e Agro-Alimentos do Canadá.ção e nem afeta as próximas lavouras. O paraquat também é resistenteDefinição A capacidade herdada de uma planta/erva daninha de sobreviver a uma dose de herbicida normalmente letal para sua espécie. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weedscience.org/in.asp O Questionário Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas monitora a evolução de espécies resistentes e avalia seu impacto. Todos as ocorrências confirmadas de novos casos são listadas. à chuva após 15-30 minutos.

O paraquat é um herbicida de amplo espectro. Seu modo de ação inibe a fotossíntese, um processo essencial nas plantas, e significa que o paraquat destrói todo o tecido verde. Todavia, embora seja denominado ‘não-seletivo’, o paraquat é seguro para as lavouras de taro pois, em primeiro lugar, é imobilizado em contato com o solo, o que significa que não pode se mover para as raízes e ser absorvido pelas plantas. Além disso, mesmo que pequenas quantidades de paraquat caiam em folhas de taro, o dano é muito pequeno ou inexistente, assim como quando resíduos alcançam as raízes, porque o paraquat não se move sistemicamente pelas plantas, como o herbicida não-seletivo alternativo, o glifosato.

O paraquat tem ação muito rápida e é resistente à chuva, diferentemente do glifosato. Ervas daninhas pulverizadas pela manhã frequentemente apresentam sintomas à tarde, facilitando a visualização, por parte dos operadores de pulverização e administradores de plantação, de quais áreas já foram pulverizadas. Isso ocorre mesmo que chova dentro de 15-30 minutos, possibilitando a pulverização por um período maior antes do início previsto da chuva.

O paraquat tem um perfil ambiental muito forte. O paraquat tem um perfil ambiental muito forte.  Ele não lixivia, pois é ligado de maneira extremamente firme às partículas do solo imediatamente no momento do contato, portanto, ele não consegue se mover para os lençóis freáticos ou para águas superficiais por escorrimento e, da mesma forma, também não pode afetar os animais ou microorganismos que vivem no solo.

O que é Taro?

Taro (Colocasia esculenta (L.) Schott) é uma lavoura de raiz rígida também conhecida como cocoyam, dasheen, koko, bari, dalo, wu tau, e poi, para citar apenas alguns nomes. Outras plantas às vezes citadas coletivamente como taro incluem o taro gigante (Cyrtosperma spp.); tannia ou mangará (Xanthosoma spp.); e inhameaçu (Alocasia spp.).

A planta do taro tem folhas verdes ou púrpuras em forma de coração sustentadas por longos (0,5-2 m) pecíolos que se elevam de troncos bulbosos cilíndricos chamados cormos. Esta é a parte que se colhe, cheia de amido, geralmente com 30-40 cm de comprimento. Os cormos filhos, ou cormeles, se formam em trepadeiras laterais (brotos). Há um sistema superficial de raízes fibrosas, principalmente no primeiro metro de solo (a partir da superfície). O taro raramente floresce para produzir sementes, sendo propagado vegetativamente a partir dos cormos. Os cormos do taro são a principal parte colhida na lavoura. Os cormos são cozidos, assados, tostados ou fritos como fonte básica de carboidrato. O cozimento é necessário para destruir substâncias irritantes naturalmente presentes na planta. Já foi chamado de ‘a batata dos trópicos’. Na Samoa e em Tonga, o taro pode suprir cerca de 16-18% das calorias diárias; e, na África, por volta de 7%. Em comparação, na Europa, América do Norte e Ásia, a batata supre apenas 3-5% das calorias diárias.

Outras partes do taro também são usadas: as folhas podem ser cozidas como uma verdura, fornecendo uma fonte de proteína, vitaminas e minerais. As cascas e restos são dados à criação.
O taro geralmente é produzido como uma lavoura de subsistência, porém, quantidades consideráveis são vendidas no mercado interno e para exportação. Os cormos são volumosos e perecíveis, todavia, constituem a principal forma comercializada. A indústria do taro pode ser importante no desenvolvimento rural, criando empregos na limpeza, separação, embalagem e transporte. Em alguns lugares, como no Havaí, o taro é processado, geralmente em uma pasta azeda chamada ‘poi’.

Onde o Taro É Cultivado?

Distribuição mundial de taro (FAO, estatística 2008)O taro é cultivado em quase 2 milhões de ha. Os países que têm as maiores áreas plantadas incluem a Nigéria (0,73 milhões de ha), Gana (0,26 milhões de ha), Camarões (0,22 milhões de ha) e China (0,09 milhões de ha). Enquanto o taro é uma lavoura menor nesses países, ele assume um significado real nas agriculturas de pequenas ilhas tropicais, especialmente no Pacífico, por exemplo,  Samoa, Fiji as Ilhas Solomon.

O taro cresce melhor em condições quentes e úmidas, com temperaturas sempre acima dos 21ºC. É sensível à geada sendo, portanto, uma lavoura de planície. As maiores produções são encontradas em regiões com precipitação anual maior que 2.000 mm.

A produção é possível em tipos de solo que variam de argila fértil pesada a solos vulcânicos leves. O ideal são solos de argila fértil média, com grande capacidade de retenção de água e ricos em matéria orgânica. Solos levemente ácidos de pH 5,5 – 6,5 dão os melhores resultados.

Como o Taro É Cultivado?

Uma lavoura jovem de taroAs lavouras de taro são plantadas usando pequenos cormos não comercializáveis ou pedaços de cormo, algumas vezes pré-germinados. As folhas nascem e senescem continuamente, e os novos cormos começam a se formar após cerca de 3 meses.

Aos 6 meses, aproximadamente, o crescimento dos ramos desacelera e os cormos começam ganhar volume rapidamente. A colheita ocorre tipicamente cerca de 10 meses após o plantio, porém pode variar entre 5 e 15 meses, dependendo do local e sistema de produção.

A colheita geralmente é feita manualmente e as produções médias das lavouras de taro ficam entre 6 e 12 toneladas/ha.
Um ponto importante sobre a produção de taro é que ele requer muita água, em parte devido às grandes folhas, que transpiram intensamente. Além disso, o taro prefere luz solar direta, o que aumenta a perda de água, embora possa ser cultivado à sombra de outras lavouras, como banana, coco ou fruta-pão.

Há dois sistemas principais de produção: o inundado e a o cultivo seco menos intensivo (planalto).

Produção Inundada

Safras muito maiores resultam dos sistemas inundados de produção de taro. A inundação garante disponibilidade de água suficiente e ajuda a controlar ervas daninhas. Este é um sistema muito mais intensivo, mas significa que o taro pode ser cultivado fora da estação chuvosa para obter melhores preços. Em sistemas menos sofisticados, o taro é cultivado em áreas alagadiças nas ribanceiras de rios.

Para criar um sistema inundado de cultivo de taro, primeiro, nivela-se a terra, depois inunda-se o solo e constroem-se represas (barragens) para reter a água da inundação. O taro pode ser plantado pouco antes ou logo após a inundação. Durante o crescimento da lavoura, os campos são drenados para aplicação de fertilizante e então são reinundados. Isso pode ocorrer diversas vezes, pois a aplicação de fertilizante é melhor quando dividida, para minimizar a lixiviação. É importante manter a água fluente para manter a oxigenação.

O taro inundado é cultivado como monocultura por muitos anos antes de ser substituído por outras lavouras, como arroz ou legumes.

Produção Seca

O taro seco é o tipo mais comum de cultivo, chegando mais rápido ao ponto de colheita, porém com safras menores. Neste sistema, o taro deve ser plantado no início da estação chuvosa, que deve durar até a colheita. Os campos são preparados por arado e grade. O solo pode ser movido em sulcos nos quais os cormos de taro são plantados, e aplica-se palha para ajudar a reter a umidade do solo e controlar ervas daninhas. Diferentemente dos sistemas inundados, o taro seco algumas vezes é intercalado com árvores, como indicado acima.

Pragas e doenças

Os insetos pragas do taro incluem o besouro do taro (Papuana uninodis), que recentemente se tornou um problema e tem sido o culpado pela perda de 40% do taro colhido taro em Fiji. Lagartas agregadas (Spodoptera litura) e gafanhotos (Tarophagus proserpina) são pragas outras importantes entre os insetos; os nematóides das galhas (Meloidogyne incognita) também podem ser um problema. A ferrugem das folhas do taro (Phytophthora colocasiae) pode ser uma doença devastadora.

Controle de Ervas Daninhas

O controle de ervas daninhas é crucial no taro seco, especialmente nos 3 primeiros meses. As ervas daninhas proliferam nesses climas e uma variedade enorme de espécies anuaisDefinição Ervas daninhas que completam seu ciclo de vida em uma estação de crescimento, ou ano. Da semente à flor e de volta à semente antes do ano terminar. Referências e Recursos Confiáveis Online http://iws.ucdavis.edu/ A Sociedade Internacional de Ciência de Ervas Daninhas representas associações individuais em todo o mundo. Detalhes dessas associações regionais estão listados. e perenes deve ser controlada por capinação manual ou através da pulverização de herbicidas. As oportunidades de controle de ervas daninhas são:

  • Antes do plantio
  • Pós plantio, antes da lavoura emergir
  • Entre as fileiras da lavoura, antes que a cobertura seja fechada, abafando ervas daninhas emergentes

Os herbicidas usados variam quanto ao espectro de ervas daninhas controladas, o grau de atividade residual no solo e se têm propriedades apenas de contato ou sistêmicas.

Controle de ervas daninhas nas sementeiras
O paraquat controla um espectro muito amplo de ervas daninhas em proporções moderadas de 540-900 g/ha. O glifosato também pode ser usado. Herbicidas que controlam ervas daninhas emergindo após a pulverização (residuais de solo) também podem ser usados, inclusive triazinas e fenilureas aplicadas em proporções de até muitos kg/ha, porém, o risco de lixiviação e de dano à lavoura geralmente são muito altos para que seu uso seja recomendado.

Como o paraquat é desativado imediatamente ao entrar em contato com o solo e devido ao fato de que pequenas quantidades que salpiquem tecidos da lavoura causam apenas danos localizados e temporários, ele pode ser usado com segurança após o plantio e até quando a lavoura começa a emergir. Próximo da emergência, o risco de dano pelo contato de herbicidas sistêmicos não seletivosDefinição Um produto químico usado para eliminar somente certos tipos de ervas daninhas (ervas daninhas anuais gramíneas ou de folhas largas). Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weeds.iastate.edu/ Uma inestimável fonte de informações contemporâneas sobre herbicidas e ervas daninhas da Iowa State University., como o glifosato, com brotos emergentes é grande demais.

Controle de ervas daninhas na lavoura
Ao se usar ferramentas manuais para remoção de ervas daninhas, deve-se tomar cuidado para evitar danificar as raízes superficiais e cormos em desenvolvimento. O solo geralmente é levantado em torno da base das plantas antes da remoção manual de ervas daninhas para minimizar os danos.

O glifosato não pode ser usado para pulverização devido ao contato inevitável com a lavoura. O glifosato se move rapidamente de um ponto de contato para todas as plantas, e pequenas quantidades podem causar um grande prejuízo.

O oxifluorfeno é um herbicida com atividade de resíduos no solo e de contato que pode ser usado após a emergência se a pulverização for direcionada cuidadosamente entre as fileiras da lavoura. No entanto, há risco de dano, pois o oxifluorfeno é volátil e, em algumas condições onde há evaporação de água do solo, o vapor do herbicida pode sair do solo e danificar os brotos da lavoura.

O paraquat, todavia, é amplamente usado para controle de ervas daninhas entre as fileiras no taro. Ele não consegue se mover pelo solo para danificar as raízes; respingos da pulverização que atinjam as folhas da lavoura não prejudicam a safra; e não produz nenhum vapor. Talvez o fator mais importante, especialmente para controle de ervas daninhas em estações chuvosas tropicais, seja que o paraquat é resistente à chuva dentro de 15-30 minutos da aplicação. Como a precipitação regular é essencial para a produção seca de taro, a resistência à chuva é uma vantagem enorme.

Referências & Recursos

Onwueme, I (1999). Taro cultivation in Asia and the Pacific (Cultivo do taro na Ásia e Pacífico). FAO: Bangkok
Sistema Nacional de MIED de Informação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA National IPM Information System)
Associação de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (United Nations Food and Agriculture Organisation – FAOSTAT)