Cultivo de milho
O milho, juntamente com o trigo e o arroz, é uma das maiores lavouras do mundo. Como sugere a onda atual ‘surpresas do milho’, ele realmente é uma ‘lavoura surpreendente’.
Geralmente, o milho é tido como uma lavoura avançada cultivada para cereais matinais, milho verde e pipoca – fast-foods da sociedade ocidental. Todavia, o milho também proporciona alimentos mais básicos para grande parte da população mundial que vive em países em desenvolvimento, onde é usado para fazer mingau, pão e tortilhas. Em todo o mundo, o grão de milho é uma ração básica na criação de animais, e a lavoura pode ser colhida ainda verde para fazer silagem, usada como ração de inverno.
Em um mundo cada vez mais consciente sobre sua dependência do petróleo e das questões de mudança climática provenientes de seu uso, há um interesse crescente na produção, a partir do amido de milho, de bioetanolDefinição Bioetanol é o etanol de origem biológica. As lavouras que contêm açúcar ou amido cultivados para uso energético incluem, respectivamente, beterraba sacarina, cana-de-açúcar ou lavouras de milho e trigo, dejetos de palha,salgueiro e árvores populares, capim-amarelo, “switchgrass”, espartinas, alcachofra de jerusalém, plantas de Miscanthus e de sorgo. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.afdc.energy.gov/afdc/ethanol/index.html O Escritório de Eficiência Energética e Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA tem um Centro de Dados de Combustíveis Alternativos e Veículos Avançados com informações cruciais sobre biocombustíveis. como um combustível alternativo.
Talvez mais do que qualquer outra lavoura, o milho alcança extremos altos e baixos em termos de sofisticação, mecanização e tecnologia na produção agrícola. Porém, todos os agricultores precisam maximizar as safras e qualidade de seu produto ao mesmo tempo em que economizam nos custos, tempo e mão de obra necessários para seu cultivo.
A proteção do milho contra ervas daninhas, pragas e doenças é essencial para evitar grandes perdas nas safras e na qualidade dos grãos. O controle de ervas daninhas geralmente é o mais importante. O Paraquat é um herbicida não seletivoDefinição Um produto químico usado para eliminar somente certos tipos de ervas daninhas (ervas daninhas anuais gramíneas ou de folhas largas). Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weeds.iastate.edu/ Uma inestimável fonte de informações contemporâneas sobre herbicidas e ervas daninhas da Iowa State University. que, quando usado em sistemas integrados de manejo de ervas daninhas, pode proporcionar soluções para problemas críticos de controle de ervas daninhas.
Como o milho é cultivado de maneira tão ampla e geralmente tão intensivamente, sua produção pode causar um impacto ambiental significativo. A WWF, a maior e mais experiente organização de conservação independente do mundo, cita os principais problemas no cultivo do milho, como:
- Uso intensivo de agroquímicos e surgimento de resistência em ervas daninhas, pragas e doenças
- Uso excessivo de água para irrigação
- Erosão do solo e degradação
- Contaminação da água por escoamento e lixiviaDefinição O processo natural pelo qual as substâncias solúveis em água são carregadas para baixo, através do solo, até as águas subterrâneas. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.agr.gc.ca/nlwis-snite/index_e.cfm?s1=pub&s2=hs_ss&page=16 Um capítulo de um livro online chamado 'The health of our soils' (A saúde de nossos solos) postado no site do Departamento de Agricultura e Agro-Alimentos do Canadá.ção de agroquímicos
- Perda de habitats e efeitos sobre a biodiversidade
- Disseminação de pólen de lavouras geneticamente modificadas (GM)
O uso do paraquat em programas de controle de ervas daninhas também pode tratar de diversas questões ambientais relacionadas ao cultivo do milho. O paraquat pode ser usado em sistemas de lavoura de conservação para manter uma cobertura orgânica não competitiva manejada que proporcione habitats para estimular a biodiversidade e ajude a evitar a erosão do solo.
O paraquat não polui o solo e nem as águas superficiais porque é imediatamente imobilizado e desativado ao entrar em contato com o solo. Agricultores e consumidores que não desejam cultivar ou comer alimentos GM, podem contar com o paraquat para controlar ervas daninhas de maneira eficiente, independentemente de a lavoura ser ou não GM para tolerância ao glifosato.
O paraquat é uma ferramenta essencial para produtores de milho
O paraquat é uma ferramenta extremamente versátil na batalha do produtor de milho contra as ervas daninhas. Ele pode ser aplicado desde antes da plantação de uma lavoura até antes de sua colheita.
O paraquat é desativado no contato com o solo, o que significa que ele pode ser pulverizado para exterminar ervas daninhas antes de se plantar uma lavoura de milho sem risco de danificar essa cultura ou a lavoura seguinte na rotação. Não há problemas de lixiviação, persistência ou absorção pela raiz que restrinjam seu uso, ao contrário de muitos outros herbicidas que têm propriedades ‘residuais’. O paraquat funciona bem mesmo no tempo frio e chuvoso, ao contrário da maioria dos herbicidas, o que o torna adequado para controle de ervas daninhas no início da estação. Esses sistemas não dependem da aragem para controlar ervas daninhas. O fato de não perturbar o solo ajuda a evitar a erosão e mantém um solo saudável.
Nos últimos anos, o uso intensivo do glifosato causou novos problemas com ervas daninhas, pois espécies menos bem controladas se ‘alteraram’, tornando-se mais dominantes, e algumas espécies desenvolveram biótipos resistentes ao glifosato. O uso do paraquat como um herbicida não seletivo alternativo, com modo de ação diferente, em sistemas de manejo integrado de ervas daninhasDefinição Um sistema de suporte para uma decisão de proteção à lavoura que se concentra na prevenção ou supressão de longo prazo de problemas com pragas com o mínimo de impacto sobre a saúde humana, o meio-ambiente e organismos que não são alvos. O MIP leva em consideração todas as técnicas e táticas disponíveis de controle de pragas (de cultivo, mecânicas, biológicas, químicas) o MIP enfatiza o crescimento de lavouras saudáveis para uma melhor produtividade com a mínima interferência possível nos agroecossistemas. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.ipmcenters.org/ O Site Nacional do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o Sistema de Informação dos Centros Regionais de CIP fornece informações sobre commodities dos EUA, pragas e práticas de manejo de pragas, pessoas e problemas. está ajudando a evitar problemas de alteração de flora e resistência.
Embora o paraquat seja um herbicida não seletivo de amplo espectro, caso pequenas quantidades caiam nas folhas da lavoura, o dano é pequeno ou inexistente, pois o paraquat não se movimenta pelas plantas de maneira sistêmica, como o glifosato. Assim, o paraquat pode ser usado para o controle de ervas daninhas entre fileiras, para remover as ervas daninhas que crescem entre as mesmas.
O paraquat tem um perfil ambiental muito forte. Ele não lixivia e se degrada no solo.
O que é Milho?
O milho (Zea mays) é uma gramínea anual originária da América Central que foi domesticada como lavoura durante muitos milhares de anos. Como lavoura de grão, o milho tem diversas características incomuns ou mesmo exclusivas.
A primeira e mais óbvia dessas características é que ele tem aparência diferente dos cereais de grãos pequenos como trigo, cevada e arroz. Sua planta é muito mais alta, tipicamente 2-3 m, e não possui um sabugo no topo da haste. O milho tem flores masculinas e femininas separadas. As flores masculinas emergem como a franja do topo da haste depois que todas as folhas se formaram, enquanto que as flores femininas se encontram na base das folhas, no meio da haste. Após a polinização, o grupo de flores femininas forma as conhecidas espigas. A maioria das variedades comerciais tem uma ou duas espigas grandes.
Em segundo lugar, as variedades comerciais de milho nos sistemas agrícolas tecnologicamente mais avançados são, na verdade, ‘híbridos’. Eles são criados pelo cruzamento de duas variedades parentais distintas, o que significa que a prole é particularmente vigorosa e altamente produtiva. No entanto, a genética da hibridização significa que a semente colhida não pode ser usada para o cultivo de uma lavoura bem sucedida, sendo preciso comprar um novo suprimento do híbrido de primeira geração.
Em terceiro lugar, o milho é fisiologicamente diferente de muitas outras lavouras, pois tem um sistema de fotossíntese chamado ‘C4’ (em contraste com o ‘C3’). Isso significa que ele usa menos água para um dado nível de safra.
O milho é uma importante lavoura de amido, que forma a fonte básica de carboidrato na dieta de centenas de milhões de pessoas. Ele também é uma fonte de algumas vitaminas do grupo B. Entretanto, as proteínas da dieta precisam ter outra origem, uma vez que a proteína do milho não contém dois aminoácidos essenciais para seres humanos e animais, a lisina e o triptofano. O milho também contém pouco cálcio em comparação com outros grãos. Pessoas que dependem muito do milho em suas dietas podem sofrer da doença ‘pelagra’ que se deve à baixa biodisponibilidade da vitamina niacina. Alguns povos indígenas aprenderam a preparar farinha de milho com lima, o que aumenta a disponibilidade de niacina.
Onde o milho é cultivado?
O milho é uma das três lavouras mais amplamente cultivadas no mundo. Com 147 milhões de ha colhidos em 2005, é a terceira em área, mas a primeira em termos de produção de grãos.
Cerca de 40% de todo o milho é cultivado nas Américas (Fig 2). Lá, os países principais países produtores são os EUA, Brasil e Argentina. Áreas semelhantes às da América do Norte e do Sul são cultivadas na África e China, respectivamente, embora de maneira muito menos intensiva.
O milho é cultivado sob uma grande variedade de condições climáticas, de tropical a temperada. Sob condições mais quentes, pode-se cultivar duas ou mais lavouras por ano, mas em climas temperados mais frios, embora seja uma valiosa lavoura de feno, os grãos não amadurecem totalmente.
Alguns dados de colheita dos principais países produtores são mostrados na Tabela 1. A produção mundial de milho aumentou em 34% desde 1995, com um aumento de apenas 8% da área de cultivo. Isso se deve, em grande parte, aos aumentos de safra em países como os EUA e a Argentina, que usam métodos de cultivo tecnologicamente avançados O abismo entre as safras dos EUA, de mais de 9 t/ha, e as de muitos países em desenvolvimento, de 1-2 t/ha, é enorme.
Tabela 1. Produção de milho nos principais países em 2005 (dados da FAO).
| Produção (milhões de t) | Área (milhões de ha) | Safra (t/ha) | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1995 | 2005 | 1995 | 2005 | 1995 | 2005 | |
| Mundo | 517.14 | 692.03 | 136.50 | 147.01 | 3.79 | 4.71 |
| EUA | 187.96 | 280.23 | 26.39 | 30.08 | 7.12 | 9.32 |
| China | 112.36 | 131.15 | 22.85 | 26.22 | 4.92 | 5.00 |
| Brasil | 36.27 | 34.86 | 13.95 | 11.47 | 2.60 | 3.04 |
| México | 18.35 | 20.50 | 8.02 | 8.00 | 2.29 | 2.56 |
| Argentina | 11.40 | 19.50 | 2.52 | 2.74 | 4.52 | 7.12 |
| Índia | 9.53 | 14.50 | 5.98 | 7.40 | 1.59 | 1.96 |
| África do Sul | 4.87 | 12.00 | 3.53 | 3.34 | 1.38 | 3.59 |
| Romênia |
9.92 |
9.97 | 3.11 | 2.66 | 3.19 | 3.74 |
| Nigéria | 6.93 | 4.78 | 5.47 | 4.47 | 1.27 | 1.07 |
| Tanzânia | 2.87 | 3.23 | 1.76 | 2.00 | 1.63 | 1.62 |
Como o milho é cultivado?
O milho é uma ‘lavoura de fileira’.
Em climas mais temperados, o milho é plantado na primavera e colhido no final do verão ou início do outono (por exemplo, plantio em abril/maio e colheitas de setembro a novembro nos EUA). Em climas mais tropicais, ele pode ser cultivado durante todo o ano. A semente de milho tradicionalmente é plantada em fileiras largas (com cerca de 75 cm de distância entre elas), o que permite o controle de ervas daninhas por cultivadores mecânicos ou capinação ou corte manual enquanto a lavoura cresce. As fileiras largas ainda são populares no cultivo do milho mesmo onde se usam herbicidas.
O milho, juntamente com o algodão, seguidos de perto pela soja na segunda onda de lavouras de larga escala geneticamente modificadas (GM) a serem introduzidas no final da década de 1990. Agora, o milho que contém traços GM para controle de insetos (‘milho Bt’) ou que é tolerante ao herbicida glifosato, ou ambos, perfaz 14% de todo o milho cultivado (2005). Isso torna o milho a segunda planta GM mais amplamente cultivada, depois da soja, onde 60% da área plantada global é GM.
Embora a introdução do milho tolerante ao glifosato tenha simplificado o controle de ervas daninhas, há problemas de alterações adversas na flora de ervas daninhas e desenvolvimento de resistência ao glifosato. O paraquat pode desempenhar uma função importante na prevenção desses problemas, ao ser usado em sistemas de manejo integrado de ervas daninhas.
Erosão do solo e sistemas de lavoura de conservação
Os herbicidas de amplo espectro, liderados pela introdução do paraquat na década de 1960, permitiram a adoção e crescimento de sistemas de cultivo de solo que não dependem do controle de ervas daninhas por enterro por aragem. O abandono do arado em sistemas de plantio direto ou de aragem reduzida economiza dinheiro, tempo e combustível, melhora a estrutura do solo, reduz a erosão do solo e proporciona refúgios para a vida silvestre.
Mais recentemente, os sistemas de agricultura de conservação foram desenvolvidos como uma abordagem mais ampla à produção agrícola do que a simples aragem. Esses sistemas incluem o uso de lavouras de coberturaDefinição Lavouras de cobertura são plantas cultivadas, principalmente, não para serem colhidas para alimentação, mas sim para servir para o controle da erosão do solo, controle de ervas daninhas e melhoramento da qualidade do solo. Geralmente são aradas ou cultivadas antes da plantação da próxima lavoura alimentar; nesses casos a "lavoura de cobertura" é usada como correção do solo, e é sinônimo de "lavoura de fertilização verde". Referências e Recursos Confiáveis Online http://attra.ncat.org/attra-pub/covercrop.html ATTRA é o Centro de Informações sobre Agricultura Sustentável do Centro Nacional de Tecnologia Adequada dos EUA. e coberturas com palha de resíduos de safras anteriores para certificar que pelo menos 30% da superfície do solo esteja sempre coberta para evitar a erosão do solo.
Nos EUA, a previsão é que a área total de plantio direto cresça para mais de 32 milhões de acres até 2008, dos quais cerca de 50% serão plantadas com soja, sendo que o milho e o algodão cobrirão 30% e 20%, respectivamente. No Brasil, a área de plantio direto aumentou de menos de 400.000 ha em 1990/1, para 6 milhões de hectares em 2001/2.
Essas técnicas ajudam a reduzir a erosão do solo. O cultivo do solo para controlar ervas daninhas pode levar à erosão, removendo nutrientes e matéria orgânica e diminuindo a capacidade de retenção de água. No Cinturão do Milho dos EUA, embora alguns dos terrenos mais erodíveis tenham sido removidos da produção e a erosão tenha diminuído desde os dias de ‘tempestade de pó’ da década de 1930, a perda anual média de solo por erosão foi estimada em 14 t/ha, uma taxa muito acima daquela que pode ser reposta pelos processos naturais de formação do solo..
Proteção das lavouras de milho
As lavouras de milho precisam de proteção contra ervas daninhas, pragas e doenças para produzir as melhores safras e a melhor qualidade dos grãos. A susceptibilidade do milho à Broca do Milho Européia, Ostrinia nubialis, e o dano resultante às safras, levaram ao desenvolvimento de milho GM expressando a toxina do Bacillus thuringiensis (Bt) que ajuda a eliminar a praga quando esta se alimenta da lavoura. O milho é atacado por muitas pragas e doenças. Elas incluem:
Insetos
Os insetos-praga do milho podem causar danos graves ao comerem as raízes, escavarem os talos ou se alimentarem das folhas e grãos. Pragas importantes do solo incluem o verme da raiz do milho do norte (Diabrotica barberi), o verme da raiz do milho ocidental (Diabrotica virgifera virgifera), larvas brancas (Phyllophaga spp.) e alfinete das raízes (Limonius spp.). As pragas aéreas incluem o pulgão da folha (Rhopalosiphum maidis) e o ácaro-aranha de duas manchas (Tetranychus urticae). A bicha-amarela, gramiola ou travela, larvas de traças, podem atacar raízes e galhos. Gafanhotos e cigarras também podem ser problemas sérios. Certas pragas que não existiam em alguns países foram ‘importadas’. É provável que isso tenha ocorrido inicialmente através de materiais vegetais em campos próximos a aeroportos. Sem controle por predadores locais, elas se espalharam e, em alguns casos, se tornaram uma grande praga em um país (por exemplo, o verme da raiz do milho, na França).
Doenças
Em geral, o milho não é tão suscetível a doenças fungosas foliares quanto os cereais de grãos pequenos, e os climas onde ele é cultivado, por serem mais secos, não favorecem infecções fungosas. Todavia, na parte inicial da estação nas regiões mais temperadas, as doenças dos brotos, como a ‘molhadura’ causada por fungos como Pythium spp. e Rhizoctonia spp. pode ser um problema. De maneira semelhante, se a segunda parte da estação for úmida, doenças das espigas, como carvão comum (Ustilago maydis), podem causar perdas nas safras. Também há ferrugens das folhas, por exemplo, causadas por Helminthosporium maydis, e doenças virais como o vírus do nanismo mosaico do milho.
Ervas Daninhas
As ervas daninhas são um grande problema para o milho, independentemente do clima. Algumas ervas daninhas gramíneas predominantes encontradas na maioria das regiões de cultivo dos EUA incluem o capim-arroz (Echinochloa crus-galli), capim-pangola (Digitaria spp.) e capim-rabo-de-raposa (Setaria spp.). As principais ervas daninhas de folhas largasDefinição
As folhas são "largas", ao contrário das folhas "estreitas" das gramíneas. Também chamadas 'dicotiledôneas' por terem dois cotilédones (folhas primárias produzidas pela semente), enquanto as gramíneas são 'monocotiledôneas' por terem apenas um cotilédone.
Referências e Recursos Confiáveis Online
http://iws.ucdavis.edu/ A Sociedade Internacional de Ciência de Ervas Daninhas representas associações individuais em todo o mundo. Detalhes dessas associações regionais estão listados. incluem carurú (Amaranthus spp.), artemisa (Ambrosia spp), cipó-de-leite (Ipomoea spp), joá-bravo (Solanum spp.), carrapichos (Xanthium spp.) e benção-de-deus (Abutilon theophrasti). Na Europa, pode-se incluir capim-massambará (Sorghum halepense) e Chenopodium spp. na lista.
O controle de ervas daninhas no milho pode ser altamente sofisticado. Como ele é cultivado em fileiras largas, o cultivo mecânico para controle de ervas daninhas que crescem entre as fileiras é possível e continua sendo praticado. Porém a maior parte do controle de ervas daninhas nos países desenvolvidos é feito através do uso de herbicidas.
Os herbicidas podem ser usados em diversos estágios:
- Pré-plantio ou pré-emergência: para exterminar as ervas daninhas presentes quando os campos são preparados para o plantio, usando herbicidas de contato, como paraquat ou glifosato, às vezes misturados com herbicidas residuais. Alguns herbicidas residuais precisam se incorporar ao solo antes do plantio da lavoura. O uso do paraquat é seguro até os primeiros sinais de emergência. O paraquat pode ser aplicado antes de uma lavoura ser plantada, ou antes que ela emirja, tanto em todo o campo quanto como uma faixa ao longo das fileiras plantadas. Como um herbicida de contato, que controla apenas as ervas daninhas presentes no momento da pulverização, ele pode ser misturado no tanque a herbicidas residuais como cloroacetanilidas, atrazina e simazina, eficazes na prevenção da germinação ou emergência de novas florescências de ervas daninhas.
- Pós-emergência: pelo uso de herbicidas seletivosDefinição Um produto químico usado para eliminar somente certos tipos de ervas daninhas (ou seja, ou as ervas daninhas gramíneas ou as de folhas largas). Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weeds.iastate.edu/ Uma inestimável fonte de informações contemporâneas sobre herbicidas e ervas daninhas da Iowa State University. ou controle de ervas daninhas inter-fileiras com produtos à base de paraquat. O paraquat pode ser pulverizado entre as fileiras após a emergência com um pulverizador de bocais protegidos. Quando as plantas de milho têm pelo menos 25 cm de altura, a aplicação cautelosa pode ser feita sem as proteções dos pulverizadores, contanto que não se permita que a pulverização entre em contato com os dois terços superiores das plantas.
- Pré-colheita: apoios à colheita, como o paraquat, são pulverizados para controlar ervas daninhas grandes, facilitando a colheita e evitando o retorno de sementes de ervas daninhas para o solo.
Extermínio
Nos sistemas de plantio ou de lavoura de conservação, as ervas daninhas ou uma lavoura de cobertura como o centeio, trigo ou aveia precisam ser controladas por um herbicida de extermínio, o paraquat ou glifosato. O 2,4-D é frequentemente misturado a ambos para controlar algumas ervas daninhas difíceis. Uma mistura de paraquat e diuron é usada no Brasil. As pulverizações de queimada baseadas em paraquat são mais confiáveis do que o glifosato para o controle de ervas daninhas anuaisDefinição Ervas daninhas que completam seu ciclo de vida em uma estação de crescimento, ou ano. Da semente à flor e de volta à semente antes do ano terminar. Referências e Recursos Confiáveis Online http://iws.ucdavis.edu/ A Sociedade Internacional de Ciência de Ervas Daninhas representas associações individuais em todo o mundo. Detalhes dessas associações regionais estão listados. e de lavouras de cobertura nos estágios iniciais de crescimento, quando o clima é frio e chove logo após a aplicação. Principalmente sob condições climáticas tão desafiantes, o paraquat controla ervas daninhas em poucos dias em comparação às 2-3 semanas que o glifosato leva para fazê-lo. O glifosato é um herbicida sistêmico e mata completamente muitas plantas perenes. No entanto, o uso intensivo do glifosato tem resultado em alterações do espectro de ervas daninhas para espécies mais difíceis de controlar e para a evolução de biotipos resistentes em algumas espécies que não são mais controladas pelo glifosato. Isso levou ao desenvolvimento de sistemas integrados de manejo de ervas daninhas.
Manejo integrado de ervas daninhas
Os sistemas de cultivo de aragem reduzida afetam as infestações de ervas daninhas através de efeitos combinados de manejo do solo e regimes de herbicida que levam a ‘alteração de flora’, onde as espécies mais favorecidas se tornam mais dominantes na flora de ervas daninhas: as gramíneas anuais, ervas daninhas de sementes pequenas e folhas largas e plantas perenes aumentam. Sem inverter o solo com o arado, mais sementes pequenas permanecem na superfície, prontas para germinar e as plantas perenes sobrevivem melhor, pois os rizomas ou raízes adventícias subterrâneas não são perturbadas e nem destruídas. Os herbicidas afetam o espectro de ervas daninhas por seus pontos fortes e fracos no controle, resultantes de seu modo de ação e, em última análise, podem surgir mutações resistentes cujos biotipos se tornam predominantes para uma dada espécie.
Nos EUA, o uso intensivo do glifosato, particularmente desde a introdução das variedades GM resistentes ao glifosato, levou ao desenvolvimento de ervas daninhas resistentesDefinição A capacidade herdada de uma planta/erva daninha de sobreviver a uma dose de herbicida normalmente letal para sua espécie. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weedscience.org/in.asp O Questionário Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas monitora a evolução de espécies resistentes e avalia seu impacto. Todos as ocorrências confirmadas de novos casos são listadas. em lavouras de algodão e de soja, as quais podem ser usadas na rotação com o milho. A buva (Conyza canadensis), se tornou um problema em dezenas de milhares de hectares de soja em muitos estados do leste e do sul desde 2000. Mais recentemente, também se registrou a presença de artemisa comum (Ambrosia artemisiifolia) resistente ao glifosato. A buva resistente ao glifosato também se tornou um problema por dezenas de milhares de hectares de algodão nos estados do Tennessee, Missouri, Arkansas e Carolina do Norte, desde 2001. Em 2005, foi registrada a presença de amarante peregrino (Amaranthus palmeri) resistente ao glifosato em algodão na Geórgia. No Brasil, o azevém-anual (Lolium multiflorum) resistente ao glifosato foi observado em uma pequena área de soja, atualmente com menos de 100 ha.
Como herbicida não seletivo de amplo espectro alternativo ao glifosato, o paraquat tem um importante papel a desempenhar nos sistemas de manejo integrado de ervas daninhas (MIED). Nos EUA, tem-se reconhecido que a confiança excessiva no glifosato e a concomitante redução da diversidade agravará os problemas de resistência de ervas daninhas. Não se deve fazer mais de duas aplicações de glifosato a qualquer campo durante duas estações. O paraquat pode fornecer o meio alternativo de controle sustentável de ervas daninhas.
Dupla lavoura
O milho geralmente é cultivado em uma rotação com outras lavouras, geralmente soja, que melhora a fertilidade do solo para a próxima lavoura de milho, reduzindo a necessidade de aplicação de fertilizante de nitrogênio. Em climas mais quentes, como no Brasil, a soja é cultivada antes de uma segunda safra de milho na mesma estação. Para cultivar uma lavoura de milho bem sucedida em um sistema de plantio duplo, deve-se escolher um híbrido que amadureça mais rapidamente, devido ao plantio de uma segunda lavoura mais tarde. Similarmente, um tempo rápido de rotação entre as safras deve ser alcançado, e é importante conservar a umidade do solo. Técnicas de plantio direto e o uso do paraquat, que tem ação rápida, para o controle de ervas daninhas podem proporcionar isso, geralmente dando uma dianteira de até 10 dias sobre qualquer programa recomendado de glifosato.
Auxílio à colheita
O tempo geralmente é um fator crítico na produção do milho. Em regiões mais ao norte, o clima do outono pode estar se aproximando, ameaçando a colheita. O uso do paraquat para desidratar ervas daninhas em uma lavoura madura de milho economiza um tempo crucial ao acelerar a colheita. Se infestada por ervas daninhas, uma lavoura desidratada pode ser colhida mais rapidamente. Resíduos no grão não são um problema, pois o paraquat é não-sistêmico.
ESTUDO DE CASO: Paraquat no Vietnã
No Vietnã, o Dr. Nguyen Truong Thanh do Instituto Nacional de Proteção à Planta, e Ha Dinh Tuan e Le Huy Hoang do Instituto de Ciência e Tecnologia Agrícola do Vietnã descobriram que o uso do paraquat conjugado à ausência de aragem pode melhorar a produção de milho e aliviar problemas ambientais através da economia de tempo e custos, e redução da erosão do solo, entre outros benefícios.
No noroeste do Vietnã, grandes áreas de milho são cultivadas na estação chuvosa, em terrenos com grande declive (10-25º).
Todas as operações, inclusive a aragem, semeadura e controle de ervas daninhas geralmente são executadas manualmente. Altos requisitos de mão de obra, baixas safras, degradação do solo e o perigo de incêndios florestais devido à queima de ervas daninhas cortadas e secas são problemas graves.
A aplicação do paraquat 2 dias antes da plantação, seguida de sua pulverização entre as fileiras de milho 30 dias após a emergência, tem sido comparada à prática agrícola tradicional em testes de campo com grandes lotes.
O paraquat controlou efetivamente quase todas as ervas daninhas (algumas das quais podem alcançar 1,8 m de altura) após 1-2 dias.
O cultivo do milho sem aragem e com uso de paraquat economizou, em média, 50 dias/ha de mão de obra que seria necessária para capinar, cortar, secar e queimar ervas daninhas.
A erosão do solo no mês de julho, que teve o pico de precipitação, foi reduzido de 4,2 t/ha para 2,2 t/ha (Fig 1).
As safras foram semelhantes com ambos os sistemas de cultivo, porém as economias de tempo e custos com o uso do paraquat foram muito substanciais: em média 0,75 milhões de Dongs Vietnamitas/ha = € 35/ha.
ESTUDO DE CASO: Paraquat na Guatemala
O uso do paraquat para controle de ervas daninhas em pequenas produções em La Nueva Concepción e Guadalupe Parcelamientos, na Guatemala, resultou em melhor controle de ervas daninhas do que a trabalhosa capinação manual e melhores safras do que o uso do glifosato. O paraquat também reduziu as perdas de solo dos campos em declive pois, ao contrário do que ocorria na capinação manual, o solo não foi perturbado, e ao contrário do uso do glifosato, somente os brotos de ervas daninhas foram controlados, deixando as raízes intactas para ajudar a ancorar o solo.
Na Guatemala, muitos pequenos produtores, especialmente nos planaltos, capinam ervas daninhas de suas lavouras de milho manualmente. Aqueles que usam herbicidas geralmente preferem o paraquat ao glifosato devido à segurança para a lavoura. Para avaliar os méritos do paraquat ou do glifosato em comparação com a capinação manual, realizaram-se grandes testes em campos de milho com declínio leve (6-8% de inclinação) durante duas estações.
O uso de herbicidas foi muito mais eficaz do que a remoção manual de ervas daninhas. O paraquat foi um pouco melhor do que o glifosato no controle de ervas daninhas de folhas largas, como Ipomoea e Commelina.
Os lotes tratados com paraquat tiveram safras de até 17% mais milho do que aqueles onde o glifosato foi usado. Embora a safra média dessas duas estações tenha sido similar nos lotes tratados com paraquat e naqueles onde foi feita a capinação manual, seria de se esperar que, no longo prazo, as maiores perdas de solo da capinação manual, inclusive as grandes perdas registradas de micronutrientes, diminuíssem as safras.
Referências & Recursos
Associações de Milho
Associação Nacional de Produtores de Milho dos EUA (US National Corn Growers Association): http://www.ncga.com/
Agronomia e Produção de Algodão:
Associação de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (United Nations Food and Agriculture Organisation – FAOSTAT): http://faostat.fao.org/faostat
Guia de Produtores de Milho da Universidade Purdue (Purdue University Corn Growers Guidebook): http://www.agry.purdue.edu/ext/corn
‘A Página do Milho’ da Iowa State University (‘The Maize Page’): http://maize.agron.iastate.edu
Sistema Nacional (dos EUA) de Informação para os Centros de MIP Regionais [National (US) Information System for the Regional IPM Centers]: http://www.ipmcenters.org/cropprofiles/ListCropProfiles.cfm?typeorg=crop&USDARegion=National%20Site
Resistência ao Glifosato:
http://www.weedscience.org/Summary/UspeciesMOA.asp?lstMOAID=12&FmHRACGroup=G
GM
Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações de Agri-Biotecnologia (International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications – ISAAA): http://www.isaaa.org/
Serviço de Pesquisa Econômica (Economic Research Service – ERS): http://www.ers.usda.gov/Data/BiotechCrops
Lavoura de Conservação
Portal da lavoura de plantio direto (No-till farming portal): http://www.notill.org/links/new_links.html

