Cultivo de chá

O Motim do Chá de BostonDa próxima vez que tomar uma boa xícara de chá para relaxar, lembre-se que essa bebida já incitou uma revolução. Em uma noite fria de dezembro de 1773, Os Filhos da Liberdade, grupo de protesto contra impostos injustos, se vestiram de Índios Mohawk e entornaram a carga de chá carregada por navios da Companhia Britânica das Índias Orientais no Porto de Boston. O Motim do Chá de Boston congregou apoios aos revolucionários nas 13 colônias e, segundo alguns dizem, iniciou a Guerra da Independência Americana.

Atualmente, a lavoura do chá está liderando outra revolução, dessa vez na agricultura. Tem-se aceitado cada vez mais o fato de que, para garantir a produção de alimentos abundantes e saudáveis ao mesmo tempo em que se protege o meio ambiente para gerações futuras e se fornecem bons padrões de vida para as pessoas que trabalham a terra, todos os envolvidos devem adotar uma abordagem sustentável à agricultura.

As principais questões ambientais no cultivo do chá incluem:

  • Perda de habitats e efeitos sobre a biodiversidade
  • Erosão do solo no terreno, que geralmente é montanhoso
  • Poluição da água e redução da saúde do solo devido a agroquímicos
  • Desmatamento resultante da necessidade de madeira para a secagem das folhas do chá

O uso do herbicida não seletivoDefinição Um produto químico usado para eliminar somente certos tipos de ervas daninhas (ervas daninhas anuais gramíneas ou de folhas largas). Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weeds.iastate.edu/ Uma inestimável fonte de informações contemporâneas sobre herbicidas e ervas daninhas da Iowa State University. paraquat para controle de ervas daninhas pode tratar de três dessas quatro questões. O paraquat pode ser usado para manter uma cobertura orgânica não competitiva manejada que proporcione habitats para estimular a biodiversidade e ajude a evitar a erosão do solo. O paraquat não afeta a saúde do solo e não polui o solo e nem as águas superficiais.

O paraquat é uma ferramenta essencial no chá

O paraquat é um herbicida de amplo espectro. Seu modo de ação inibe a fotossíntese, um processo essencial nas plantas, e significa que o paraquat destrói todo o tecido verde. Todavia, embora seja denominado ‘não-seletivo’, o paraquat é seguro para as lavouras de chá por dois motivos. Primeiro, ele é imobilizado ao entrar em contato com o solo, o que significa que não pode se mover para as raízes e ser absorvido pelas plantas. Segundo, ele é pulverizado em volta das plantas de chá, protegidas pela casca, que o paraquat não consegue penetrar. Terceiro, mesmo que pequenas quantidades de paraquat caiam nas folhas mais baixas da plantação de chá, o dano é muito pequeno ou inexistente e os resíduos não alcançam brotos e folhas jovens, pois o paraquat não se move sistemicamente pelas plantas, como o herbicida não-seletivo alternativo, o glifosato.

Além disso, ao contrário do glifosato, o paraquat tem ação muito rápida e é resistenteDefinição A capacidade herdada de uma planta/erva daninha de sobreviver a uma dose de herbicida normalmente letal para sua espécie. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.weedscience.org/in.asp O Questionário Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas monitora a evolução de espécies resistentes e avalia seu impacto. Todos as ocorrências confirmadas de novos casos são listadas. à chuva. Ervas daninhas pulverizadas com uma solução paraquat pela manhã de frequentemente apresentam sintomas à tarde, facilitando a visualização, por parte dos operadores de pulverização e administradores de plantação, de quais áreas já foram tratadas. Isso ocorre mesmo que chova dentro de 15-30 minutos, possibilitando a pulverização por um período maior em caso de previsão de chuva.

Em lavouras perenes como o chá, a ênfase está no controle das ervas daninhas, e não em sua remoção permanente. Isso porque a manutenção de um equilíbrio específico de ervas daninhas na flora da plantação é importante para a sustentabilidade, ao proporcionar habitats para os predadores de insetos-praga e minimizar a erosão do solo pelo efeito de ancorador das raízes de plantas.

O paraquat tem um perfil ambiental muito forte. O paraquat tem um perfil ambiental muito forte.  Ele não lixiviaDefinição O processo natural pelo qual as substâncias solúveis em água são carregadas para baixo, através do solo, até as águas subterrâneas. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.agr.gc.ca/nlwis-snite/index_e.cfm?s1=pub&s2=hs_ss&page=16 Um capítulo de um livro online chamado 'The health of our soils' (A saúde de nossos solos) postado no site do Departamento de Agricultura e Agro-Alimentos do Canadá., pois é ligado de maneira extremamente firme às partículas do solo imediatamente no momento do contato, portanto, ele não consegue se mover para os lençóis freáticos ou para águas superficiais por escorrimento e, da mesma forma, também não pode afetar os animais ou microorganismos que vivem no solo.

De onde vem minha xícara de chá?

O que é chá?

Colheita manual de folhas de cháAs plantas de chá (Camellia sinensis (L.) Kuntze) vêm de mais de 1.500 variedades diferentes. São todos arbustos perenes ou pequenas árvores com uma raiz principal forte e flores brancas e amarelas. As principais variedades são:

  • Assam (Camellia sinensis var. assamica), como uma árvore de tronco único. Árvores não podadas de chá de Assam podem alcançar de 6 a 20 m de altura.
  • China (Camellia sinensis var. sinensis), um arbusto.
  • Cambojano (Camellia sinensis var. parviflora) que tem características intermediárias e, às vezes, é referido como um híbrido entre o chá Assam e o da China.

Na produção comercial as plantas de chá são podadas a uma altura de 1,5 m.

Chás são feitos de brotos e folhas recém-emergidas, colhidas manualmente a cada duas ou três semanas. Após a colheita, as folhas são espalhadas em grandes bandejas e deixadas para secar por períodos de tempo variados. Depois, elas são enroladas ou cortadas para liberar enzimas e, então, há a ‘fermentação’. Açúcares e taninos são liberados como os ‘fermentos’ do chá. Na verdade, esse é um processo de oxidação enzimática, pois não há formação de álcool. O processo é interrompido por aquecimento em certos estágios para produzir os diversos tipos de chá disponíveis, inclusive:

  • Chá branco: um chá de especialidade, que é colocado para secar imediatamente após a colheita dos brotos, sobre os quais foi feita uma sombra para impedir que se tornem verdes pela produção de clorofila.
  • Chá verde: ‘fermentação’ limitada, seguida por vaporização.
  • Chá oolongo: ‘fermentação’ parcial, que dá características entre as do chá verde a as do cha preto.
  • Chá preto: permite-se que a ‘fermentação’ se complete por um período de duas a quatro semanas antes da secagem (‘queima’).

O chá verde e, especialmente, o chá branco têm alto teor de catequinas (tipos de tanino ou polifenóis), antioxidantes poderosos, que se acredita possuir propriedades medicinais no combate ao câncer e fortalecimento do sistema imune. As catequinas são mais concentradas nas folhas mais jovens, de tecido mais tenro colhido para chá verde e branco e também são mais bem preservadas no processamento desses chás, os quais são vaporizados sem murchar e nem fermentar (ou com muito pouca fermentação) e, então, colocados para secar.

Embora a concentração de cafeína em folhas de chá possa ficar em torno de 4%, mais alta do que nos grãos de café, o conteúdo de cafeína de uma xícara de chá é, tipicamente, de cerca de metade daquele do café.

Onde o chá é cultivado?

Figura 1.  Distribuição mundial das áreas colhidas de chá (FAO, 2004)O chá cresce melhor em regiões que desfrutam de um clima tropical quente e úmido, com precipitação de pelo menos 1000 mm por ano. O chá é preponderantemente uma lavoura do hemisfério oriental, sendo que as maiores áreas plantadas ficam na China e Índia, que cultivam cerca de um milhão e meio milhão de hectares (ha), respectivamente. O Sri Lanka cultiva mais de 200.000 ha.

Durante os últimos anos, a área plantada de chá tem se mantido bastante estática na maioria dos países, mas o Vietnã e o Quênia se destacam, tendo aumentado suas áreas colhidas em 44% e 24%, respectivamente, desde 1995.

Idealmente, o chá prefere solos profundos, leves, ácidos e bem drenados. Nessas condições, o chá cresce em áreas desde o nível do mar a altitudes de até 2.100 m.

As safras médias nacionais variam significativamente, entre os principais produtores, somente o Quênia tem boas safras. A Bolívia, um produtor muito pequeno, ilustra as safras possíveis, com uma média nacional de quatro vezes aquela do Quênia (Tabela 1).

Tabela 1. Os dez principais produtores de chá (FAO, 2004). 

  Área colhida (ha) Safra Média (t/ha) Produção Anual (t)
1 China 943,100 Bolívia 8.47 China 861,000
2 Índia 500,000 Zimbabwe 3.67 Índia 850,500
3 Sri Lanka 210,600 Camarões 2.58 Sri Lanka 303,000
4 Quênia 140,000 Malawi 2.50 Quênia 295,000
5 Indonésia 116,200 Peru 2.21 Indonésia 173,448
6 Vietnã 102,000 Maurício 2.11 Turquia 153,800
7 Turquia   76,640 Quênia 2.11 Vietnã 108,422
8 Mianmar   72,000 Brasil 2.10 Japão   95,000
9 Bangladesh   54,000 Japão 2.02 Argentina   64,000
10 Japão   47,000 Turquia 2.01 Bangladesh   55,627

Figura 2.  Alterações na produção anual dos principais países produtores de chá (FAO).

Durante a última década, a produção cresceu, particularmente na China e no Vietnã (Fig. 2). Metade de todo o chá produzido (80% é chá preto) é exportado com um valor total anual de cerca de US$ 3 bilhões. Em 2004, o Quênia ultrapassou o Sri Lanka como o maior exportador mundial de chá. Esses países foram seguidos de perto pela China. A Índia também é um grande exportador, e a Indonésia completa os cinco maiores. Rússia, Reino Unido, Paquistão, Egito e Japão são os principais importadores. Os britânicos e irlandeses são quem mais bebe chá, com uma média de 3 xícaras por pessoa todos os dias.

Produção sustentável de chá

O cultivo do chá

Colheita mecanizada de cháO chá é plantado a partir de sementes ou mudas, e muitas culturas continuam sendo colhidas após quase 100 anos. As culturas originadas de sementes têm sua primeira poda quando têm de 2 a 3 anos de idade e 70 cm de altura. Com mudas, esse estágio é atingido depois de apenas um ano. Outras podas são feitas para a produção de uma planta frondosa, com muitos ramos. Quando esses brotos terminais são colhidos, isso estimula o crescimento de ramos laterais, os quais, por sua vez, são colhidos em colheitas posteriores.

Pragas e doenças

Alguns dos sintomas de danos causados por insetos às plantas de chá incluem folhas dobradas, enroladas ou deformadas, folhas descoloradas, listradas ou manchadas; e serragem nos troncos, galhos ou na base das plantas. Entre os insetos que prejudicam as folhas estão gafanhotos de folha (por exemplo, no Vietnã, o Gafanhoto Verde do Chá, Empoasca spp. é uma grande praga), ácaros, thrips e afídeos. Os cupins (por exemplo, Postelectrotermes militaris, Coptotermes spp. e Macrotermes spp.) escavam o tecido lenhoso.

Doenças afetam, brotos, galhos e raízes. A mais importante doença foliar no Vietnã é a Murchidão Vesiculosa, causada pelo Exobasidium vexans. Os brotos são afetados por Antracnose, causada por diversos fungos, inclusive Colletotrichum theae-sinensis. A bactéria Pseudomonas spp. pode causar feridas em troncos e galhos. O apodrecimento das raízes é causado por muitos fungos, inclusive Armillaria spp, Ganoderma spp e Hypoxylon spp.

Manejo de ervas daninhas e biodiversidade

Um grande número de ervas daninhas anuaisDefinição Ervas daninhas que completam seu ciclo de vida em uma estação de crescimento, ou ano. Da semente à flor e de volta à semente antes do ano terminar. Referências e Recursos Confiáveis Online http://iws.ucdavis.edu/ A Sociedade Internacional de Ciência de Ervas Daninhas representas associações individuais em todo o mundo. Detalhes dessas associações regionais estão listados. e perenes infestam as plantações de chá. Climas tropicais, com muita luz solar, calor e umidade, significam que as ervas daninhas prosperam e podem competir com as lavouras por espaço, água e nutrientes, além de sombrear as plantas cultivadas, principalmente quando estas são jovens.

Prematilake et al. conduziram experimentos de campo com vários métodos de controle de ervas daninhas em chá jovem. Descobriram que os sistemas baseados no uso do paraquat eram superiores àqueles que usam o herbicida não seletivo sistêmico glifosato. O uso intensivo do glifosato causou alterações na flora de ervas daninhas (‘alteração de flora’), pois espécies mais tolerantes ao seu modo de ação específico se tornam mais dominantes. Ervas daninhas ‘leves’, tipicamente gramíneas anuais frágeis e fáceis de controlar, são substituídas pela reinvasão do terreno limpo por ervas daninhas ‘nocivas’ mais agressivas, tipicamente trepadeiras escaladoras e rastejantes anuais e perenes de folhas largasDefinição As folhas são "largas", ao contrário das folhas "estreitas" das gramíneas. Também chamadas 'dicotiledôneas' por terem dois cotilédones (folhas primárias produzidas pela semente), enquanto as gramíneas são 'monocotiledôneas' por terem apenas um cotilédone. Referências e Recursos Confiáveis Online http://iws.ucdavis.edu/ A Sociedade Internacional de Ciência de Ervas Daninhas representas associações individuais em todo o mundo. Detalhes dessas associações regionais estão listados.. Essas ervas daninhas agressivas competem com a cultura de chá, reduzindo as safras e dificultando as operações de pulverização, aplicação de fertilizantes e a colheita.

No entanto, o uso do paraquat no manejo da flora de ervas daninhas, ao invés de eliminá-la, pode ajudar a manter uma flora equilibrada, impedindo a dominância de espécies agressivas. O paraquat remove apenas o crescimento superficial de ervas daninhas bem estabelecidas e não afeta a germinação de novas mudas, permitindo que a vegetação se restabeleça em 1-2 meses. Uma presença controlada de ervas daninhas leves mantém o equilíbrio da flora de ervas daninhas e evita a alteração de flora para espécies nocivas pelo simples fato de deixar menos solo desnudo disponível para colonização pelas mesmas. A presença de cobertura não competitiva também proporciona habitats que estimulam a biodiversidade. A vida silvestre estimulada inclui predadores de insetos-praga, os quais, de outro modo, teriam que ser controlados quimicamente.

O paraquat pode ser pulverizado de maneira segura entre as fileiras da lavoura sem o temor de prejudicar as plantas de chá. Ele é imóvel no solo e não consegue penetrar nas raízes nem subir aos ramos. O paraquat não consegue penetrar a casca dos arbustos, o que significa que ele pode ser pulverizado até a base dos mesmos.

Saúde do solo

A exclusiva combinação de propriedades biológicas e físico-químicas do paraquat, particularmente sua ação não sistêmica rápida e sua absorção extremamente forte pelo solo, proporcionam um perfil ambiental muito forte. Quando o paraquat entra em contato com o solo, se liga imediata e muito fortemente às partículas do solo, tornando-se imóvel e inativo. Os solos são capazes de absorver quantidades muito grandes de paraquat. O conteúdo de argila é importante, porém, mesmo para solos mais leves, a capacidade de absorção nos centímetros mais superficiais é capaz de desativar muitos quilogramas de paraquat por hectare. Quantidades muito pequenas de paraquat são liberadas continuamente da argila para a água do solo. Ali, os micróbios do solo o degradam em dióxido de carbono, amônia e água, evitando seu acúmulo no solo.

A A organização líder em conservação WWF afirmou que "agroquímicos usados em plantações de chá matam muitos dos microorganismos que vivem no solo". Entretanto, como o paraquat não é biologicamente ativo no solo devido a suas propriedades de ligação, ele não tem efeitos adversos na fauna ou microorganismos do solo. Isso foi confirmado por um trabalho da Universidade de Essex, no Reino Unido, realizado pelo Prof. Jules Pretty, que usou técnicas de identificação de DNA/RNA e descobriu que o paraquat não tem efeito na biomassaDefinição Massa de matéria orgânica de origem biológica não fóssil que pode ser explorada como energia. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www1.eere.energy.gov/biomass O Escritório de Eficiência Energética e Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA tem um Programa de Biomassa trabalhando com indústria, academia e Laboratórios Nacionais dos EUA em pesquisas sobre matérias-primas de biomassa e tecnologias de conversão. A meta são biocombustíveis, bioprodutos e bioenergia de custo competitivo e alta performance. e biodiversidade das populações microbianas do solo.

Poluição da água

A WWF declarou que "Os produtos químicos aplicados nas plantações de chá têm um efeito letal sobre a biodiversidade do solo ao mesmo tempo que polui a água dos rios, mata os peixes prejudica e os animais e pessoas que dependem dos rios para conseguir água". Isso não se aplica ao paraquat, pois ele não pode ser lixiviado para a água, uma vez que se liga tão fortemente ao solo, muito mais do que outros agroquímicos. Quando usado conforme as recomendações, o paraquat não causa perigo para peixes nem para invertebrados, pois, além de sua imobilidade, mesmo se a pulverização do paraquat derivar para lagos, rios ou águas paradas, este é removido rapidamente pela absorção para plantas sedimentos e pela degradação microbiana. Estudos ecológicos abrangentes mostraram que o paraquat não representa um risco para ambientes aquáticos (Roberts et al, 2002).

Erosão do solo

As plantações de chá geralmente se localizam em declives suscetíveis à erosão do soloAs plantações de chá geralmente se encontram em terrenos inclinados em áreas montanhosas onde há níveis de precipitação muito altos. Isso pode ter conseqüências dramáticas de erosão do solo. Por exemplo, a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (UNESCAP) relatou que as perdas anuais de solo por erosão na área de receptação de água do Mahawelli superior, no Sri Lanka, pode ser de até 75 t/ha.

Isso causa dificuldades nas plantações de chá e fora delas. Há implicações graves para a produtividade, pois a erosão do solo esgota as reservas de nutrientes e reduz a capacidade de retenção de água. Fora da plantação, o solo erodido pode encher de sedimentos os reservatórios e cursos d'água, causando problemas para a irrigação e a geração de energia hidrelétrica.

O uso do paraquat para o manejo de ervas daninhas pode ajudar a minimizar a erosão do solo através da manutenção de uma cobertura vegetativa do solo. Ele pode ser usado combinado a faixas de grama entre as fileiras plantadas, e as ervas daninhas são controladas nas fileiras plantadas. Por não ter ação sistêmica e nem efeitos residuais no solo, essas propriedades permitem a recolonização de ervas daninhas por novo crescimento a partir das raízes ou novas ondas de germinação. Isso significa que os sistemas de raízes das ervas daninhas sempre estão presentes e têm um efeito de âncora, que resiste ao movimento.

ESTUDO DE CASO: Paraquat sustenta a produtividade dos produtores de chá do Sri Lanka

P.B. Ekanayake, K.G. Prematilaka, e A.P.D.A. Jayasekara do Instituto de Pesquisa do Chá (IPC) do Sri Lanka disseram, na conferência de 2005 da Sociedade Científica de Ervas Daninhas da Ásia-Pacífico como descobriram que o paraquat pode desempenhar um papel vital no manejo de ervas daninhas para os produtores de chá. 

Um estudo de seis anos com o chá do Sri Lanka afirma que herbicidas sistêmicos como o glifosato podem ser tóxicos para plantas de chá e afetam adversamente o crescimento e a safra. Todavia, pesquisadores do (IPC) descobriram que “o efeito foi mínimo com o paraquat”.

O glifosato tem sido cada vez mais usado, pois os cultivadores de chá estão sob pressão para simplificar seus sistemas e cortar custos. No entanto, como o glifosato é sistêmico, a menos que seja usado com muito cuidado, a deriva da pulverização para o chá pode prejudicar folhas e brotos jovens e causar reduções de prazo mais longo no vigor da planta, diminuindo as safras. Além disso, resíduos inaceitáveis de glifosato também foram detectados em folhas de chá secas. A performance de controle de ervas daninhas do glifosato também foi comprometida pela pressão que exerce sobre a flora de ervas daninhas, fazendo com que esta se altere para espécies mais tolerantes e competitivas.

O IPC recomenda restrições na freqüência do uso do glifosato, um intervalo de 1 a 2 semanas entre a pulverização e a colheita (dependendo da medida), e o uso de adjuvantes para reduzir medida necessária. Devido a isso, os autores do estudo recomendam o paraquat como uma solução de manejo de ervas daninhas para o chá do Sri Lanka, afirmando:

“Pode-se defender que a rotação entre remoção manual de ervas daninhas e remoção química de ervas daninhas com paraquat sustenta a produtividade e mantém um bom meio ambiente nas plantações de chá”.

Os resultados deste estudo confirmam anos de pesquisas extensivas, que suportam a segurança do paraquat para as lavouras e para o meio ambiente. O artigo completo pode ser lido aqui …
Impact of Weed Management Studies on the Productivity of Tea Plantations in Sri Lanka

ESTUDO DE CASO: Paraquat salva o solo na China

Min An-min, Guo Hen-xiao, Li Hong-xia e Zhao Rong da Academia Florestal de Sichuan relataram como o uso do paraquat para controlar ervas daninhas reduziu a erosão do solo em culturas de chá em terrenos inclinados.

Legenda
O chá é cultivado em altitudes acima de 1500 m nos braços d'água montanhosos superiores do Rio Yangtze. O preparo do solo para controle de ervas daninhas resultou em erosão grave do solo causada pelo fluxo de água superficial. Cientistas da Academia Florestal de Sichuan descobriram que o uso do paraquat para controlar ervas daninhas tem mais que o dobro da eficiência do glifosato na redução da erosão em comparação com o preparo convencional do soloDefinição Cultivo com preparo de toda a extensão do solo, que perturba toda a superfície do solo e é realizado antes e/ou durante o plantio. Há menos de 15 por cento de cobertura residual após a plantação. Geralmente, envolve aragem ou viagens intensivas (numerosas) lavração. O controle de ervas daninhas é realizado com produtos de proteção à lavoura e/ou cultivo em fileiras. Referências e Recursos Confiáveis Online http://www.fao.org/news/story/en/item/9962/icode/ Um noticiário da FAO que discute os problemas da aragem e as vantagens da agricultura de conservação..

Isso porque o glifosato deixa o solo exposto por mais tempo que o paraquat, o que permite que uma cobertura verde não competitiva se regenere. A presença de vegetação dispersa o impacto da chuva, e as raízes das ervas daninhas ancoram o solo. Nos testes em culturas de chá com declives de 8º a 18º, as perdas de nutrientes e matéria orgânica juntamente com o solo foram de 80 a 100% menores quando se usou paraquat no lugar do glifosato.

Referências & Recursos

Associações de chá

Conselho de Chá do Reino Unido (UK Tea Council): http://www.tea.co.uk/

Produção e comércio de chá

Associação de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (United Nations Food and Agriculture Organisation – FAOSTAT): http://faostat.fao.org/faostat/
Comitê Internacional do Chá (International Tea Committee): http://www.inttea.com/index.asp

Cultivo sustentável de chá e proteção da lavoura

Comunidade Manejo Integrado de Pragas na Ásia (Community Integrated Pest Management in Asia): http://www.communityipm.org/docs/Tea_Eco-Guide/Tea_Eco-Guide.html

WWF

Prematilake KG et al. (2004). Weed Biology and Management(Biologia e Manejo de Ervas Daninhas), 4, (4), 239-248

Ekanayake, PB, Prematilaka, KG e Jayasekara, APDA (2005). Impact of Weed Management Studies on the Productivity of Tea Plantations in Sri Lanka (Estudos do Impacto do Manejo de Ervas Daninhas sobre a Produtividade de Plantações de Chá no Sri Lanka). Proceedings of the 20th Asian-Pacific Weed Science Society Conference (Protocolos da 20ª Conferência da Sociedade Científica de Ervas Daninhas da Ásia-Pacífico), Cidade de Ho Chi Minh, Vietnã, 7-11 de novembro 2005.

Erosão do solo

UNESCAP: http://www.unescap.org/drpad/publication/integra/volume3/srilanka/3sr04a01.htm

WWF

Paraquat no solo e na água

Roberts et al (2002). Journal of Agricultural and Food Chemistry (Revista de Química Agrícola e Alimentícia), 50, 3623–3631.